Identificação
Uma história clínica neurológica deve ser iniciada com a identificação completa do paciente, o que inclui seu nome completo, sexo, idade, profissão, procedência e naturalidade. Esses dados servem para o examinador obter um perfil rápido do paciente e analisar as principais características clínicas inerentes a ele. Posteriormente esses dados servirão como importantes fatores epidemiológicos e direcionam o médico as principais etiologias prováveis para o quadro desse paciente.Queixa Principal
Deve ser anotado o motivo pelo qual o paciente procurou atendimento médico com as próprias palavras ditas por ele. Se o paciente procura atendimento referindo estar com “dor de cabeça”, anotar essas palavras como queixa principal é a forma correta ao invés de inserir o termo médico “cefaleia”. Alguns autores sugerem também que seja incluído nesse tópico a duração dos sintomas, para que o texto fique como “dor de cabeça há 2 dias”.História da Queixa Atual
Após a identificação do paciente e do motivo pelo qual ele procurou atendimento médico é necessário explorar a queixa principal para que se tome conhecimento sobre como o quadro do paciente aconteceu exatamente. As anotações deve ser organizadas em ordem cronológica e conter apenas termos médicos, evitando o palavreado leigo citado pelo paciente durante a conversa mas sempre explorando o real significado desses termos. Nessa fase da história alguns dados obrigatoriamente devem estar contidos na entrevista por serem de fundamental importância para a avaliação neurológica.Início dos sintomas. Para começar a avaliação de uma queixa deve-se perguntar quando os sintomas se iniciaram e de que forma isso aconteceu. Diferenciar se os sintomas incomodam o paciente há meses ou horas é importante para avaliar tanto a gravidade do quadro quanto a possível etiologia. Quadros de início súbito estão associados a eventos vasculares ou traumáticos enquanto quadros de evolução lenta remetem a doenças expansivas ou degenerativas.
Padrão temporal de evolução. A forma como os sintomas se alteram ou não conforme o tempo também é um dado de fundamental importância. Nesse momento devemos definir se determinado quadro é progressivo, estacionário ou reicidivante.
Localização. Questionar o paciente sobre a localização exata do sinal ou sintoma, bem como se existe irradiação para outras partes do corpo ou se houve alteração desse posicionamento conforme o tempo.
Gravidade do quadro. Deve-se avaliar o quanto a sintomatologia apresentada interfere na qualidade de vida do paciente e execução de tarefas do cotidiano, determinando se o quadro apresentado é incapacitante ou não.
Fatores de melhora e de piora. A existência de qualquer fator agravante ou atenuante deve ser documentada, assim como os tratamentos anteriores utilizados pelo paciente, prescritos por médicos ou não, e a eficácia desses métodos.
Outros sintomas associados. Qualquer outra característica que acompanhe a sintomatologia referida pelo paciente deve ser analisada e documentada para a construção da história clínica.
Histórico Médico
Nessa parte da história deve ser coletada toda a informação de relevância clínica que possa existir no quadro do paciente. Esses dados devem incluir doenças que o paciente apresenta, doenças que já foram tratadas e curadas, medicações em uso agora e no passado, alergias medicamentosas e alimentares, cirurgias pregressas, hábitos de vida potencialmente danosos (como etilismo, tabagismo, uso de drogas ilícitas e sedentarismo), condições neonatais e desenvolvimento psicomotor, traumatismos, condições de nutrição e qualquer outra característica de importância médica.O conteúdo presente nessa parte da história pode também servir para que o paciente entenda que parte da fisiopatologia de seu quadro clínico pode ser derivada de condições e hábitos de vida prejudiciais, assim como facilitar que o médico institua um plano terapêutico condizente com as necessidades do paciente.
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